16.10.2010 - 21.11.2010
Piso 0
GARY HILL
Wall Piece, 2000
Instalação vídeo monocanal/som
Projector vídeo, luz estroboscópica e controlador estroboscópico com tripé de aço, dois altifalantes, um leitor de DVD e um DVD (cor; som estéreo)
Dimensões variáveis
Edição de seis, mais uma prova de artista
Desde as primeiras obras no início do anos 1970, uma grande parte do trabalho de Gary Hill consistia em performances onde o artista actuava directamente ou através de gravações filmicas, misturando voz, palavras, sons diversos emitidos por ele ou vindo de objectos e aparelhos, realizando assim até hoje menos uma obra de video art – embora fazendo parte historicamente dessa área – que uma obra de sound poetry ou mesmo de body poetry, já que inúmeras vezes o corpo do artista está envolvido nas peças como matéria e material.
Em Wall Piece, o corpo do próprio Gary Hill, deitando-se contra um muro ao mesmo tempo que pronuncia cada vez algumas palavras que acabam por formar um texto completo, é simultaneamente matéria e material sonoro, visual, mas também forma invisível, escondida no escuro, para aparecer repentinamente num relâmpago luminoso. Não se sabe se é o corpo que produz as imagens que surgem, ou a voz que provoca a luz, ou o som do corpo contra a parede que faz nascer todo este ambiente. Percebe-se que existe uma ligação evidente entre verbal, vocal, visual e corporal, mas entendemos ao fim dum tempo que esses elementos desfocam, separam-se, para se recompor e novamente se desligarem. A performance não está só na instalação que estamos a experimentar, ou nas acções filmadas, está também na nossa percepção que tenta reunir o que ficou ligeiramente desunido e reatar o fio de palavras soltas. Como certas outras obras de Gary Hill, Wall Piece é uma peça que trata de percepção dissociativa, e da maneira como temos que associar o diverso da linguagem, da imagem e do corpo para que haja percepção.
Jacinto Lageira